Barra Acontece – Ano 5 –As Noticias Fluindo das Correntezas dos Rios: Grande e Velho Chico

PF INVESTIGA MEGAESQUEMA DE GRILAGEM NA REGIÃO OESTE DA BAHIA

Publicado em: 13/5/2019

Por Jairo Costa Jr. e Luan Santos, na coluna Satélite, do Correio 24 horas.

A Polícia Federal (PF) abriu investigações para apurar indícios de um megaesquema de grilagem na região Oeste do estado, com foco no rumoroso caso envolvendo a posse de 366 mil hectares de terras em Formosa do Rio Preto.

Fontes com acesso ao inquérito relataram à Satélite que a PF entrou em campo após solicitações feitas pela Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados e pela Procuradoria-Geral da União (PGU), já que há juízes e desembargadores implicados nas fraudes relacionadas a propriedades  situadas no coração do agronegócio baiano.

A investigação tem origem no que é conhecido pelos corredores do Incra como o maior processo de grilagem que já se teve conhecimento na história do país.

No início de março, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anulou, por 12 votos a um, a portaria do Tribunal de Justiça da Bahia que entregava a apenas um homem, José Valter Dias, a posse sobre a área equivalente a cinco vezes o tamanho de Salvador. Ex-borracheiro, Dias alega ser o verdadeiro dono das terras ocupadas por mais de 300 agricultores que migraram do Paraná para o Oeste da Bahia.

Cerca Lourenço

Em outro flanco, o desembargador Salomão Resedá, corregedor das comarcas do interior no TJ, determinou em 30 de abril uma devassa no Cartório do Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos Civis de Formosa do Rio Preto. Na portaria, Resedá ordenou que os arquivos e documentos do órgão ficassem disponíveis em lugar de fácil acesso para ele e integrantes de sua equipe nos dias 2 e 3 de maio. Pouco antes, o delegatário do cartório investigado por supostas irregularidades, Davidson Dias de Araújo, havia sido punido com 90 dias de suspensão. Ao mesmo tempo, o CNJ exige que a Corregedoria-Geral do TJ preste esclarecimento sobre as denúncias de grilagem de terras que respingam em servidores do Judiciário e do Incra, além de magistrados da Corte.

Passagem de arado

O cerco da PF e do CNJ sobre o caso dos 366 mil hectares do Oeste  foi alavancado também por um relatório elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). No documento, constam indícios de movimentação atípica da ordem de R$ 5 milhões, por meio de transações bancárias que entraram no radar dos investigadores por causa dos nomes citados pelo Coaf.

Nota da redação de O Expresso:

Calcula-se que as áreas envolvidas no processo, valham no mínimo 250 sacas de soja por hectare, incluídas aí áreas de reserva legal, áreas de preservação permanente (margens de rio) e áreas ainda não beneficiadas. Não estão aí contabilizadas a infraestrutura de produção, como sedes, escritórios, armazéns e secadores. Trata-se do valor da terra nua com os benefícios de correção e melhorias do solo. Com isso o valor da terra grilada seria de no mínimo R$5,5 bilhões, o que gerou a cobiça de todos os envolvidos na grande fraude.

  • Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *