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Convenção do DEM mostra uma eleição sem surpresas em Salvador?

Publicado em: 15/9/2020

por Fernando Duarte

Convenção do DEM mostra uma eleição sem surpresas em Salvador?

Foto: Betto Jr./ Divulgação

A convenção do Democratas que confirmou o nome de Bruno Reis como candidato a prefeito de Salvador não trouxe qualquer surpresa. A escolha estava praticamente sacramentada desde a chegada dele ao cargo de vice-prefeito, ainda em 2016, e ele conseguiu articular bem a construção de um arco de alianças que o fez ser franco favorito para a eleição 2020. E com o trunfo extra de contar com o apoio de PDT e PL, que estão com o governador Rui Costa no plano estadual e agora veem essa relação sob tensão.

 

Mesmo a indicação de Ana Paula Matos (PDT) para a vice, por mais que alguns partidos como o Republicanos e o MDB tenham torcido o nariz, ocorreu dentro da expectativa construída ao longo dos últimos meses por Bruno Reis. Se ACM Neto mostrou força política ao bancar a candidatura do atual vice, a ação do próprio candidato, que soube buscar os caciques corretos como aliados, foi um aspecto relevante para a amplitude das legendas que vão caminhar juntas até novembro. Bruno Reis agora será obrigado a sair dos bastidores, onde rascunhou a articulação que o trouxe à condição de potencial sucessor do padrinho.

 

Sem lugar de fala para tratar de pautas que vão ser amplamente exploradas pelos adversários, a exemplo do racismo estrutural e do caráter patriarcal da sociedade soteropolitana, a perspectiva apontada como mote da campanha será a continuidade dos oito anos de administração de ACM Neto. Todas as falas na convenção do DEM tentaram imprimir a ideia de que existiu uma Salvador até 2012, que agora é uma nova cidade após a passagem do herdeiro político do carlismo pelo Palácio Thomé de Souza. Esse tom de “seguir trabalhando” se assemelha, inclusive, às apostas das campanhas petistas à presidência, com Dilma Rousseff, ou ao governo da Bahia, com o próprio Rui Costa.

 

Como as sondagens apontam que ACM Neto tem uma gestão muito bem avaliada, as chances dessa lógica da continuidade darem certo são potencializadas. Como Bruno Reis e a própria Ana Paula foram, em momentos distintos, a “cara” da administração municipal para o grande público, mesmo que não haja a transferência automática de votos, a sensação de que essa chapa esteve ao lado do prefeito pode gerar algo positivo para eles. Vai depender de como a comunicação vai abordar o assunto.

 

O grupo político que controla a prefeitura de Salvador preferiu o feijão com arroz ao invés de trazer surpresas de última hora no processo eleitoral. Mesmo os quase rebeldes foram pacificados sem que as rusgas se tornassem públicas. Caso o ritmo se mantenha assim, nem mesmo as eleições prometem surpreender na capital baiana.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (15) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: SpotifyDeezerApple PodcastsGoogle Podcasts e TuneIn.

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